Minha Viola

19/11/2017 21:34
                   
MINHA VIOLA

 

         Chamo o meu violão de viola, não por se tratar de um instrumento de doze cordas, é um de seis cordas mesmo, mas por que o relacionamento afetivo é tão grande, que não quero dar ao texto uma conotação homossexual.

         Pego-a em um canto, onde se encontra repousando guardada, e segurando-a admiro-a na sua beleza, e ao mesmo tempo recordo momentos felizes que tivemos juntos.

         Ao segura-la, a encosto no peito, em um caloroso abraço, firme, porém delicado, e vou tocar-lhe as cordas, que dão sentimentos a ela, na tentativa de ver se estão afinadas comigo, e com a música que pretendo tocar.

         Aos primeiros acordes me encanto com seu som, depois ao toque de minhas mãos ela geme, sorri, grita numa enorme profusão de sons que enche minha alma de satisfação. Como sua caixa encontra-se encostada no meu peito, sinto-a vibrar também, e tenho a impressão que ela sente e ressente ao toque de minha mão, cantando excitada a melodia que estou a dedilhar.

         Nisto perco as beiras da razão, e encantado fico com os sons que estou a escutar, já não sei se sou eu que toco nela, ou se é ela que toca em mim com a musica que está a me dar.

         O ultimo acorde dou, um silencio espalha-se no ar, e eu encantado fico com este antigo relacionamento, é intimo, sensual e afetivo, que ela está a me dar!  

 

 

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Escritor Tito Laraya

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