A Viagem

11/05/2014 16:16
 
Queria ser só eu que embarcara naquele universo louco, de uma viagem pela poesia do saber viver, mas cada um, havia pegado um livro de um escritor de sua preferência, e procurava nele uma razão existencial, ou uma explicação por ser quem é e como é.
 
                        Estávamos todos em grupo, entre quatro paredes, e nossa viagem onírica se resumia na interpretação de idéias  há muito tempo ditas e escritas, ao alcance de todos, e achar nelas algo que poucos haviam visto, ou ao contrário, que muitos haviam visto e poucos contado.
 
                        Depois de horas de leitura, cada um se pronunciou sobre o que leu, e todos atentos ouviam a experiência que juntamente com a sua formariam o quadro final.
 
                        O primeiro a falar foi um economista, que havia lido Balzac, e chegou a conclusão que o principal personagem na obra dele era o dinheiro, e que por tanto todas as situações criadas pelo autor em cima do vil metal expunha-se no melhor e maior livro de economia já visto.
 
                        O segundo a falar foi um advogado, e dissertou sobre a beleza da obra de Shakespeare, ao tratar das paixões humanas, do desenrolar das tramas familiares, em toda a sua nudez, que ele,  havia presenciado em anos de profissão, como advogado na área de família.
 
                        Houve um filósofo, que dissertou sobre as conclusões que Fernando Pessoa havia chegado ao seu pequeno e enorme Portugal, pequeno porque está ao alcance de todos, e enorme por que é universal.
 
                        Um psicólogo falou sobre o total das obras lidas, e lembrou que Freud bebeu na literatura universal as bases de seu tratado sobre a mente humana.
 
                        Eu, ali perdido, havia escolhido para ler o que nunca foi dito, sempre lido, muitas vezes copiado, mas pouco conhecido, Platão.  Vi nos diálogos, a diferença do ser e do dever ser, ambos expostos na República, pensei bem comigo: Se esta reunião se desse em uma sala de aula da vida, pouco haveria necessidade de teorias, mas apenas de vivência, já por alguém descrita, em páginas de estória, ao alcance de todos, e nunca lida.
 
Este é um conto que um grupo de pessoas voltam de uma viagem, e estão felizes, mas não pela viagem, nem por estarem juntas.
 
 

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